domingo, 9 de outubro de 2011

Rascunho automático

Carlos Newton

Já com um pé fora do governo, o ministro das Cidades, Mario Negromonte, diz que os integrantes da bancada do PP que o apoiam “são fiéis” tanto a ele quanto ao governo de Dilma Rousseff. “Não são parlamentares que mudam de lado ao sabor de seus interesses e trazem para o plano nacional disputas regionais que dizem respeito apenas a eles próprios e não ao partido”, destacou em nota distribuída à imprensa, sobre sua situação no cargo.

Tudo isso já era esperado, desde que Negromonte deu declarações à imprensa denunciando que parte da bancada do PP no Congresso é formada por parlamentares de “ficha suja”. O PP tem cinco senadores e 41 deputados federais. Dez deles estão incursos na Lei da Ficha Limpa, pois já foram condenados por tribunais. Estão, portanto, cumprindo seu último mandato eletivo, caso a constitucionalidade da legislação seja reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Entre eles, dois ex-governadores: Paulo Maluf, de São Paulo, e Espiridião Amin, de Santa Catarina.

Outros parlamentares do PP estão sendo processados, mas ainda não foram condenados por tribunais, circunstância que por enquanto os exclui das restrições da Lei da Ficha Limpa.

Desde que fez a denúncia, falando da “folha corrida” da bancada, Negromonte entrou em choque com a bancada e com o próprio Planalto, pois deixou de ser chamado para reuniões sobre os preparativos para a Copa 2014, tem recebido menos recursos do que outros grandes ministérios e não influi mais no desenho dos principais programas de sua área, como o Minha Casa, Minha Vida.

Agora, dos 41 deputados federais do partido, 30 querem a saída de Negromonte. Na semana passada eles se reuniram para reclamar que não são atendidos e que não têm suas emendas liberadas na pasta administrada pelo partido. E o líder do PP imediatamente relatou à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, por telefone, a insatisfação da bancada com as emendas não empenhadas, pressionando pela saída de Negromonte.

Nessa reunião, diversos integrantes da bancada do PP consideraram “insustentável” a situação. “Este ambiente foi gerado pelo próprio ministro, o protagonista de toda essa situação foi ele”, afirmou o líder do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), que é ficha-suja e está se vingando de Negromonte, o único ministro do PP e que comanda o terceiro orçamento do governo para investimentos (R$ 7,6 bilhões).

Os deputados da bancada já discutem nomes para substituí-lo. Parlamentares da bancada falamem Beto Mansur(SP) e no ex-governador Esperidião Amin (SC), que são dois fichas-sujas, e no senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é ficha-limpa. Façam suas apostas.

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