Carlos Chagas
Nem de revolta, nem de euforia. De esperança, quem sabe, mas de boa vontade, também. Assim deverá ser o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff na abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas, quarta-feira. Atenções, ela despertará mais aqui do que lá. Para as centenas de delegados de países e de povos tão díspares, a novidade estará no fato de que pela primeira vez uma mulher brasileira dá o ponta-pé inicial nos intermináveis debates que não levam a lugar algum, tamanha a diversidade de debatedores quanto de desencontros em exposição.
Vale muito pouco a Assembléia Geral, mais propícia às câmeras do que aos microfones. Uma festa de cores e de vestimentas, de dialetos e de línguas, bem mais próxima da forma que do fundo. Enquanto prevalecer a regra de que cinco países valem mais do que todos os outros, torna-se dispensável o espetáculo desse falso congraçamento internacional. Porque apenas Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, França e China, como membros permanentes do Conselho de Segurança, detêm o controle das decisões que realmente importam. Ainda mais com o poder de veto.
Apesar disso, é positiva a presença da presidente do Brasil na conferência, bem como nos encontros que manterá com diversos presidentes e primeiros-ministros. Desperta curiosidade saber qual o tom que ela imprimirá nesses diálogos.
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A VERDADE E SUAS DIVERSAS FACES
Caso não sobrevenham adiamentos, na quarta-feira a Câmara dos Deputados estará aprovando a criação da Comissão da Verdade, grupo a ser constituído por sete integrantes aos quais caberá investigar denúncias de tortura e até de assassinatos praticados por agentes do poder público durante o regime militar. É farta a literatura sobre os excessos daquele período, parecendo obvio que virão à tona, também já conhecidos, os atos de virulência executados pelos que se insurgiram contra a ditadura. O passado estará sendo revolvido em favor da memória nacional, ainda que continuem proibidas pela Lei da Anistia quaisquer iniciativas para processar e condenar os responsáveis.
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JUSTIÇA, AINDA QUE TARDE
A presidente Dilma sancionou, na semana passada, projeto de lei aprovado no Congresso dando a Pedro Aleixo lugar na galeria dos presidentes da República. Trata-se da reparação, mesmo tardia, de uma truculência praticada contra um vice-presidente impedido de assumir quando da doença do presidente, por ato de usurpação explícita adotado pelos três ministros militares. Eles até prenderam o dr. Pedro, mais tarde extinguindo seu cargo por um ato institucional.
Não houve solenidade alguma no palácio do Planalto, quando da assinatura da lei, estando o filho de Pedro Aleixo, padre José Carlos Aleixo, ausente do país, participando de um congresso na Espanha.
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NÃO DÁ MAIS TEMPO
Insistirá o Lula, esta semana, na aprovação da reforma política pelo Congresso, segundo projeto apresentado pelo deputado Henrique Fontana. Está agendado um encontro do ex-presidente da República com o vice-presidente atual, Michel Temer, para tentar engajar o PMDB na proposta. O problema é que, mesmo havendo remotíssima chance de o partido unir-se em torno do texto do petista, nem por milagre a reforma política seria aprovada antes de 3 de outubro. Como um ano antes de qualquer eleição fica proibido mudar ou adaptar a lei para vigência no pleito imediato, infere-se côo sendo nulos os esforços do Lula. Reformas políticas e eleitorais, se porventura votadas depois daquela data, valeriam apenas para as eleições de 2014…
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