quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Vazio de esperanças.



Wanderley Farias

Com certeza estou chegando.
 
Estou chegando ao fim de uma etapa, de uma jornada, de uma longa jornada. Sinto isto, lá no fundo do meu eu.

Não queria que isto acontecesse da forma com que está acontecendo, não pelo fim da jornada, que eu sei ser uma consequência da própria vida. Mas sim, pela forma com que está vindo.

É um desinteresse total, pelas coisas, pela vida em si. Não tenho fome, nem sede. Viagens que antes me apeteciam, hoje se tornam enfadonhas. Não me chamam a atenção.

Houve época, em determinada parte de minha vida, eu dizia da ânsia de viver, de vencer a própria vida. Agora eu anseio o final, não vou o fim provocar. Não, talvez por medo. Não é medo. Mas não vou provocar o final, pois isto vem de encontro a tudo que acredito. Só aguardar. Quero descanso, com muita calma, sem desespero. Hoje não almejo o que a vista alcança, mas por não almejar nada e a vista já não está vendo muita coisa. Por não ver nada com que se interessar. É um desinteresse total.

Eu me sinto oco, vazio. Vazio de esperanças, vazio de tudo. Vazio...Sem esperanças. Oco. Sem nada e sem ninguém.

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