Carlos Chagas
De quem será a culpa da lambança pelos acontecimentos que, ontem, terminaram com a demissão de Antônio Patriota do ministério das Relações Exteriores?
Primeiro, da presidente Dilma, que antes mesmo de empossada decidiu nomeá-lo Chanceler. Foi buscar no time dos reservas um titular flagrantemente despreparado para a função. Antes tivesse deixado Celso Amorim no lugar. Ou buscasse outro no quadro de embaixadores, ou mesmo fora da carreira. Mas a chefe do governo errou de forma continuada, mantendo o diplomata, já que desde o primeiro dia não jamais o poupou de homéricas e publicas admoestações, que ele submissamente engolia. Humilhações não faltaram, no palácio do Planalto, no avião presidencial e nas capitais para onde viajavam.
A culpa, assim, também foi do próprio Patriota, sem brios para, na primeira admoestação, entregar sua carta de demissão. A permanência no poder não vale tanto, como acabam de demonstrar os fatos.
Não se exclua a Bolívia de sua parcela no que aconteceu. Afinal, se o senador Roger Molina pediu asilo à embaixada brasileira, que lhe foi concedido, mandavam os costumes internacionais que em pouco o governo Evo Morales expedisse salvo-conduto para a saída do oposicionista. Em se tratando de uma republiqueta, porém, nosso vizinho bateu pé. Coisas que Oliveira Salazar fazia muito em Portugal, nos tempos de sua ditadura. Apesar das consultas encaminhadas pelo Brasil, nada feito. O parlamentar tinha que ficar prisioneiro, relegado a um quartinho mínimo em nossa representação, já se iam quinze meses.
Não para aqui o festival de incompetência. O Encarregado de Negócios do Brasil em La Paz resolveu agir por conta própria. Segundo declarou, não consultou ninguém no Itamaraty, para dar fuga ao senador, transitando em carro oficial com ele até Mato Grosso, valendo-se das imunidades diplomáticas para atravessar a fronteira. O ministro Eduardo Sabóia sugere haver sido estimulado por autoridades bolivianas, através de sinais de que não atrapalhariam. Nem o Pinóquio argumentaria melhor, ainda que seu gesto humanitário talvez tenha servido para salvar a vida de seu hóspede forçado.
De quem será a culpa da lambança pelos acontecimentos que, ontem, terminaram com a demissão de Antônio Patriota do ministério das Relações Exteriores?
Primeiro, da presidente Dilma, que antes mesmo de empossada decidiu nomeá-lo Chanceler. Foi buscar no time dos reservas um titular flagrantemente despreparado para a função. Antes tivesse deixado Celso Amorim no lugar. Ou buscasse outro no quadro de embaixadores, ou mesmo fora da carreira. Mas a chefe do governo errou de forma continuada, mantendo o diplomata, já que desde o primeiro dia não jamais o poupou de homéricas e publicas admoestações, que ele submissamente engolia. Humilhações não faltaram, no palácio do Planalto, no avião presidencial e nas capitais para onde viajavam.
A culpa, assim, também foi do próprio Patriota, sem brios para, na primeira admoestação, entregar sua carta de demissão. A permanência no poder não vale tanto, como acabam de demonstrar os fatos.
Não se exclua a Bolívia de sua parcela no que aconteceu. Afinal, se o senador Roger Molina pediu asilo à embaixada brasileira, que lhe foi concedido, mandavam os costumes internacionais que em pouco o governo Evo Morales expedisse salvo-conduto para a saída do oposicionista. Em se tratando de uma republiqueta, porém, nosso vizinho bateu pé. Coisas que Oliveira Salazar fazia muito em Portugal, nos tempos de sua ditadura. Apesar das consultas encaminhadas pelo Brasil, nada feito. O parlamentar tinha que ficar prisioneiro, relegado a um quartinho mínimo em nossa representação, já se iam quinze meses.
Não para aqui o festival de incompetência. O Encarregado de Negócios do Brasil em La Paz resolveu agir por conta própria. Segundo declarou, não consultou ninguém no Itamaraty, para dar fuga ao senador, transitando em carro oficial com ele até Mato Grosso, valendo-se das imunidades diplomáticas para atravessar a fronteira. O ministro Eduardo Sabóia sugere haver sido estimulado por autoridades bolivianas, através de sinais de que não atrapalhariam. Nem o Pinóquio argumentaria melhor, ainda que seu gesto humanitário talvez tenha servido para salvar a vida de seu hóspede forçado.
A farsa de ontem à noite das cartas trocadas entre Dilma e Patriota
remete-nos ao Século Dezenove. A presidente agradeceu pelos serviços
prestados, premiou o já agora ex-ministro com a embaixada nas Nações
Unidas, pois ele acentua haver pedido demissão. Nem uma coisa nem
outra. Foi demitido debaixo de loas à sua incompetência.
E agora? E agora nada, restando saber se o novo Chanceler adotará o
modelo do antecessor ou irá lembrar-se do exemplo do Barão do Rio
Branco. Quem quiser que aposte…
O MAIS E O MENOS IMPORTANTE
Vamos supor aquela imagem que tanto nos apavorava nos tempos de
criança, de um cidadão perdido no meio do deserto, morto de sede, sob
sol inclemente e sem qualquer oásis à vista. De repente, aparece
alguém oferecendo um copo d’água. O infeliz deve olhar primeiro para o
copo, porque se ele for de cor vermelha, rejeitará a água, já
que sempre bebeu em copos azuis?
É a mesma coisa, agora. Para os que vivem em municípios sem
médicos, entregues a curandeiros, pouco importa se o médico
recém-chegado vem de um país onde há ditadura ou de outro plenamente
democrático. O que importa é que saiba curar doentes.
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