Pior não poderia ter sido a entrada no palco, quarta-feira, do mais novo ator da pantomima partidária encenada no país desde o advento da Nova República. Porque a proposta do PSD não é nem socialista nem democrática, mas fisiológica. Serve de abrigo para oposicionistas do DEM e do PSDB sequiosos de aderir ao governo Dilma Rousseff. Tanto assim que o prefeito Gilberto Kassab, fundador, já lançou a proposta da reeleição da atual presidente, em 2014. Mas fez mais: no manifesto de formalização do partido, embarcou na canoa furada da convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva, a ser eleita naquele ano, juntamente com um novo Congresso. Até o Lula, assim como Dilma, já abandonaram essa aberração, apesar de a terem defendido um ano atrás. Dispondo deputados e senadores do Poder Constituinte derivado, quer dizer, podendo reformar a Constituição em tudo o que não seja cláusula pétrea, como ficariam se aprovassem uma emenda durante o tempo em que os exclusivos estivessem trabalhando? Caso batessem de frente, como ficaria?
O PSD, pelo jeito, centralizará sua ação parlamentar no apoio ao governo federal e na tentativa de suprimir direitos sociais estabelecidos na lei fundamental em 1988. Não propriamente uma contradição, mas quase. Surge mais um típico representante do setor neoliberal. Apresentando-se como partido de centro, será na realidade outra peça conservadora e reacionária. Os egressos do DEM sentir-se-ão em casa. Um ou outro tucano, também. Querelas e sequelas regionais de diversos partidos fornecerão mais uns tantos integrantes, também protegidos pelo guarda-chuva da mudança de legenda sem o risco de perder o mandato.
Tendo recebido autorização do Tribunal Superior Eleitoral para funcionar, o PSD fará jus a alguns milhões do fundo partidário e, mais triste ainda, terá direito aos abomináveis horários de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão. Ninguém confundirá a sigla com a anterior, que de 1945 a 1966 foi majoritária no Congresso, nos estados e nos municípios, dando lições de competência política. A maioria não se lembra, muitos já esqueceram o velho PSD de Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Gustavo Capanema, Benedito Valadares, Nereu Ramos, Amaral Peixoto e muitos mais. Azar de Gilberto Kassab.
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