É muito difícil ser juiz de qualquer coisa.
Decida certo ou errado e será criticado.
É impossível satisfazer a todos.
Digo isto por ter sido um juiz em determinada época da minha vida.
Com devida vênia, desculpando-me pela comparação.
Fui um juiz do Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol de Salão da Federação de Futebol de Salão do Rio de Janeiro.
Estava eu assistindo a um jogo no Estádio do Maracanã, que por acaso tinha aberto mão do acesso especial que tinha direito para ficar junto à torcida do meu time e, em determinado momento se aproximou de mim, um dirigente do mesmo clube, e que me disse estas palavras: "que bom saber que o senhor torce para o clube. Na terça-feira próxima vai haver o julgamento do atleta X, que nós temos muito interesse que não seja suspenso, precisamos muito que o senhor nos auxilie." Superada a surpresa, nada lhe disse e nada lhe prometi. Quando retornei a minha residência já tinha tomado uma decisão que muitos dirão que foi errada, mas por certo satisfez aos meus princípios fundamentais. Estou comentando agora, passado muitos anos, sem identificar o atleta, o clube, o dirigente. Somente os que me conhecem saberão o nome do clube, que continuo torcendo até hoje.
Simplesmente não compareci a sessão de julgamento. Pensei que se o atleta merecesse seria julgado pelos meus pares, seria e absolvido por certo e se culpado seria suspenso. O dirigente no máximo pode ter me acusado de covardia e não de corrupção. Porque se eu tivesse comparecido ao julgamento e o atleta merecesse uma absolvição, por certo o tal dirigente iria dizer que foi a sua interferência que tinha dado certo. Lamentei muito terem descoberto a minha afinidade com o clube. Isto me fez renunciar ao cargo exercido até ali com toda a dignidade.
No meu modesto entendimento alguns juízes já teriam que se julgar impedidos.
No meu modesto entendimento alguns juízes já teriam que se julgar impedidos.
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