Decorei este texto há
muitos, quando minha me levou ao auditório da Rádio Nacional, Programa
César de Alencar, quando foi feito o lançamento do disco, ainda em 78 rotações.
HOMENAGEM AS MÃES
Paulo Roberto
Mãezinha querida.
Quero deixar aqui, nestas palavras que vou dizendo ao deus
dará da emoção. Um grande abraço estremecido em soluços e um beijo, mãezinha.
Um beijo muito molhado de lágrimas. Sinto que esta é a hora de ficar alegre e
não sei como, nem porque, esta palavra, lágrima tombou dos meus olhos para os
meus lábios.
Como lhe devo minha mãe. Devo-lhe tudo. A começar pela vida.
Por muitos e muitos meses, vivi no seu seio aquecido ao calor
do seu coração. E o ar que você respirava é que conduzia oxigênio e vida ao
inconsciente, tranquilo explorador de sua vitalidade, que era eu.
Quando nasci, ficamos ainda por alguns instantes ligados um
ao outro. E foi quando mãos estranhas nos separaram, cortando, partindo o
último liame que fazia de nossas vidas, uma vida. Creio que os recém nascidos
choram, porque sentem a mágoa desta separação. Mas nem por isto nos afastamos
um do outro. Seu sangue generoso se transmudou na brancura do leite e eu
continuei vivendo dele e de você mãezinha.
Vieram depois as noites de vigília e os dias de angústia,
quando você aplicava sobre a minha fronte os lábios temerosos de encontrar a
ameaça da morte no sintoma da febre.
Mais tarde aprendi com você as primeiras palavras e a rezar a
primeira oração balbuciada.
Nossa primeira grande separação aconteceu, quando você me vestiu
a roupinha nova de colegial, lembra-se e cruzou, sobre o meu peito, com emocionado
carinho a correia da malinha dos livros escolares. Eu ia enfrentar o mundo com
lágrimas nos olhos. Porque pela primeira vez, estava sozinho, sem você, longe
da senhora mãezinha. Como lhe devo, e quanto, minha mãe.
Homens, que somos nós? Diante da figura de uma mulher mãe.
Creio que nós os homens só não somos completamente maus, porque nascemos todos
de um ventre de uma mulher mãe. E é você, é a senhora. Não sei que tratamento
lhe dar. Creio que seria justo. Creio que não ofenderia nem de leve, a doce mãe
de Jesus. Se eu lhe falasse agora, rezando baixinho.
Minha mãe... Bendita sois vós, entre as mulheres.
(Texto transcrito por Wanderley
Farias, de memória)
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